quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Testemunha "Figura"!

Esta semana participei de um processo de reconhecimento e dissolução de união estável. Estava pela parte autora, que conviveu maritalmente com o réu, por 05 anos.

O réu negava sinicamente que havia morado com a autora. As testemunhas da mesma afirmaram, veementemente, que conhecia o casal como marido e mulher, como de fato eram.

O ápice da audiência foi a segunda testemunha do réu, que afirmava ser amigo de infância do mesmo. Tratava-se de um senhor de idade, cabelos grisalhos, com voz grave, e fala mansa, que impunha respeito aos interlocutores.

As perguntas foram mais ou menos assim:

Juíza: a testemunha sabe se o réu já havia sido casado outra vez?

Testemunha: Não.

Juíza: O Sr. freqüenta a casa do réu?

Testemunha: nunca.

Juíza: O Sr. sabe onde o réu mora?

Testemunha: não.

Juíza: O Sr. conhece a filha do réu?

Testemunha: É um filho!

Juíza: Mas o réu tem uma filha com a autora.

Testemunha: desconheço. Ah! Certa vez ele disse que teve essa filha com dita pessoa!

Juíza: o advogado da autora tem a palavra.

Thyago: o Sr. se considera amigo íntimo do réu?

Testemunha: Sim, desde a infância.

Thyago: o Sr. sabe quantos filhos o réu tem?

Testemunha: 2.

Thyago: como o Sr. se considera amigo do réu (desde a infância) e nunca soube que ele foi casado quase 20 anos com outra mulher antes da autora, e que tem 4 filhos?

Testemunha: NÃO SOU UMA PESSOA CURIOSA!

Quase que eu gargalhava na frente da testemunha, só me segurei porque a audiência estava sendo gravada. Ia pegar mal.

Mas mal mesmo ficou a advogada do réu, sem saber o que fazer.

OBS.: Ah! Conheci uma leitora do blog, nesta audiência, que disse que me conhecia das leituras virtuais, mas disse que eu era mais magro na foto (Toma gordinho!).

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