Esta semana participei de um processo de reconhecimento e dissolução de união estável. Estava pela parte autora, que conviveu maritalmente com o réu, por 05 anos.
O réu negava sinicamente que havia morado com a autora. As testemunhas da mesma afirmaram, veementemente, que conhecia o casal como marido e mulher, como de fato eram.
O ápice da audiência foi a segunda testemunha do réu, que afirmava ser amigo de infância do mesmo. Tratava-se de um senhor de idade, cabelos grisalhos, com voz grave, e fala mansa, que impunha respeito aos interlocutores.
As perguntas foram mais ou menos assim:
Juíza: a testemunha sabe se o réu já havia sido casado outra vez?
Testemunha: Não.
Juíza: O Sr. freqüenta a casa do réu?
Testemunha: nunca.
Juíza: O Sr. sabe onde o réu mora?
Testemunha: não.
Juíza: O Sr. conhece a filha do réu?
Testemunha: É um filho!
Juíza: Mas o réu tem uma filha com a autora.
Testemunha: desconheço. Ah! Certa vez ele disse que teve essa filha com dita pessoa!
Juíza: o advogado da autora tem a palavra.
Thyago: o Sr. se considera amigo íntimo do réu?
Testemunha: Sim, desde a infância.
Thyago: o Sr. sabe quantos filhos o réu tem?
Testemunha: 2.
Thyago: como o Sr. se considera amigo do réu (desde a infância) e nunca soube que ele foi casado quase 20 anos com outra mulher antes da autora, e que tem 4 filhos?
Testemunha: NÃO SOU UMA PESSOA CURIOSA!
Quase que eu gargalhava na frente da testemunha, só me segurei porque a audiência estava sendo gravada. Ia pegar mal.
Mas mal mesmo ficou a advogada do réu, sem saber o que fazer.
OBS.: Ah! Conheci uma leitora do blog, nesta audiência, que disse que me conhecia das leituras virtuais, mas disse que eu era mais magro na foto (Toma gordinho!).

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