O título deste texto pode parecer um plágio ao título do blog, mas explico de antemão o porquê: quem vos escreve, excepcionalmente, é André Palhano, estagiário do Dr. Thyago Amorim. Vim contar um pouco sobre mim e trazer algumas impressões sobre essa nova etapa da minha vida.
Nunca me vi como advogado. Mas também nunca me vi fazendo algo que não fosse relacionado com o Direito. Por isso, ainda no Ensino Médio resolvi optar por esse curso e não me arrependo por essa decisão tomada.
Ingressei na UFRN em 2008, no segundo semestre (e no meu segundo vestibular), no período da noite. Alguns fatores me levaram a escolher esse turno, como a concorrência mais baixa (vale destacar que para o primeiro vestibular eu tentei para o turno matutino) e a oportunidade mais ampliada de estagiar. Teria, teoricamente, manhãs e tardes livres para exercer essa função.
Hoje me encontro no 6º período, mais da metade do curso, e somente neste ano tive a oportunidade de estagiar em um escritório de advocacia. Até então eu era apenas bolsista na Universidade, na área de licitações. E, na minha opinião, o fato de estagiar é bastante enriquecedor para a carreira e para a vida. Portanto tive de ir atrás de cada entrevista que me aparecia. Para chegar até aqui, precisei passar por algumas delas... Posso lhes ser sincero? Não foi tão fácil assim!
Ao enfrentar uma série de entrevistas em diversos escritórios desta comarca, percebi que não basta ir bem vestido – demonstrando boa aparência – ou falar bem – demonstrando segurança; é mais importante apresentar um curriculum vitae bem “recheado” e mais importante ainda: é preciso ter contatos! Seja de dentro ou de fora (do escritório), as amizades lhe darão o suporte necessário para que se ingresse neste admirável mundo novo.
Contudo, para que se conquiste uma amizade, faz-se necessário ser merecedor dela e, para tanto, é preciso se portar como um bom amigo em tempo integral, daqueles dispostos a fazer de tudo (ou pelo menos aquilo não vedado por lei) pelo seu próximo. Agindo assim o retorno virá naturalmente. Neste momento me lembro daquela famosa frase d’O Pequeno Príncipe, de Saint-Exupéry: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. Isso posto, inicio meus comentários sobre o ofício que ora exerço com muito orgulho.
Ao ser me dada a oportunidade de ser estagiário de advogados atuantes na seara criminal, isso me encheu de felicidade, pois se trata de uma área que desde minhas lembranças mais remotas me causa admiração. Foram vários os filmes que alimentaram essa minha vontade de trabalhar como investigador ou algo que o valha.
Ocorre que geralmente a realidade se mostra diversa daquilo que um dia se sonhou. Vivenciar dia a dia situações de homicídios, roubos e violências de toda espécie exige “estômago” (como um dia o próprio Dr. Thyago falou) e não é qualquer um que aguenta a barra.
Já presenciei visitas a algumas instituições penitenciárias e sei de muita gente que se diz apaixonada pelo Direito Penal que não conseguiria ficar um minuto lá dentro. A precariedade das condições vividas pelos detentos é bastante chocante (mas sobre isso eu deixo para comentar em outro dia).
Ainda tenho tempo para decidir sobre qual ramo e profissão deverei seguir. No exercício no meu labor, não me deparo apenas com ações criminais, mas, também, com processos cíveis. Confesso que esses não me apaixonam tanto quanto aquelas. Estou feliz por não ter me desencantado. A sensação de desapontamento é horrível!
Se antes eu não me via como um advogado, agora eu já repenso muito sobre o caso. Talvez me torne um profissional exemplar, sempre atento às normas legais e, principalmente, às normas da vida.
“Nestes termos,
Pede deferimento.”
ANDRÉ PALHANO XAVIER DE FONTES
Estagiário de Direito



