Sou assistente de acusação de um caso de homicídio que ocorreu em Guamaré, cidade pertencente à Comarca de Macau. Já me referi a este caso anteriormente (neste blog: Velho Oeste!).
Pois bem, o homicídio ocorreu no início de 2009. Após muitos empurrões, especialmente por este patrono, a polícia concluiu o inquérito, inclusive com uma testemunha chave.
Porém o representante do Ministério Público não achou que houvesse elementos suficientes para a condenação do indiciado e, diligentemente, devolveu o inquérito para a delegacia complementar as investigações. Não é preciso ser gênio para saber que o promotor queria que o delegado apurasse mais provas contra o indiciado, caso contrário teria expresso em sua cota.
Enviado em novembro, com prazo de 30 dias para a conclusão, hoje, 08 de abril, o delegado ouviu quatro pessoas nested inquérito, dessas, todas são irmãos do acusado.
Pra quê?
Para falar bem do acusado. O delegado esperava que os próprios irmãos dissessem que o acusado mandou matar a vítima? Claro que não.
Novamente: e pra quê?
Pelo que pude perceber, para desqualificar o depoimento da testemunha chave.
Mas logo os irmãos do acusado?
Acho que o delegado não achou mais ninguém para falar bem do acusado e desqualificar a testemunha chave.
E mais, a advogada de defesa apresentou uma degravação (será que o nome é esse mesmo?) de conversa entre ela mesma, a esposa do acusado e a testemunha chave, feita na residência desta ultima.
Isso mesmo, a advogada, juntamente com a esposa do acusado, foi tomar satisfações sobre o depoimento da referida testemunha!!!! Depoimento este que causou a prisão temporário do acusado.
Quer mais coação do que isto? De que maneira o acusado, mesmo que indiretamente, poderia por em risco a instrução processual?
O engraçado foi que a advogada apresentou a referida degravação porque a testemunha afirmou que o depoimento não tinha sido conforme está nos autos.
Claro!!! Elas esperavam que diante de tamanha coação e medo de represaria a testemunha dissesse “Confirmo o depoimento prestado na polícia, foi ele quem mandou matar a vítima!”?
O fato é que, até agora, a polícia finge fazer algo, até agora o acusado está impune.
Até agora!


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